quinta-feira, 24 de novembro de 2011

DE ONDE VEM A MALDADE?




A ciência desvendou os segredos da maldade. Hoje em dia, os pesquisadores já sabem que a crueldade se manifesta de forma biológica, como uma falha nos circuitos cerebrais, e que pode ter fatores sociais e genéticos. Em entrevista concedida à revista GALILEU, o psiquiatra Fábio Barbirato, chefe do setor de Neuropsiquiatria da Infância e da Adolescência da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, explicou  como essa maldade aparece nas crianças.

 Uma criança pode ser tão maldosa quanto um adulto?
Maldade pode ser definida como falta de empatia. Quando você provoca algum mal a alguém, é porque você não está muito preocupado com que essa pessoa venha se machucar fisicamente ou emocionalmente. Isso significa que você não se importa com o outro. A gente sabe que essa falta de empatia está ligada a algumas áreas do cérebro, como o córtex frontal. Ela também está ligada, em seus casos mais extremos, ao que os antigos chamavam de psicopatia e hoje nós chamamos de personalidade antissocial. O termo utilizado para definir essa mesma falta de empatia em uma criança é transtorno de conduta. Esse transtorno começa na infância e pode ser diagnosticado até os 17 anos. Ele se caracteriza justamente pela falta de empatia e remorso. Um paciente meu, por exemplo, foi proibido pela mãe de sair de casa porque tirou notas baixas. Ele pegou o cachorro da mãe e enfiou várias agulhas nele. Outro paciente pegou o cachorro da mãe e colocou dentro do microondas. E eles não se arrependem disso, falam sem nenhum tipo de remorso. A violência dessa criança pode ser física, ele pode ser aquele garoto que junta uma galera pra bater em outro menino porque ele é mais pobre ou negro, ou tem características homossexuais. Mas essa violência pode aparecer de outras formas – ele pode ser aquela criança que rouba a prova do amigo, por exemplo. Essa violência pode ser observada partir dos 5 anos de idade.

 Porque só conseguimos perceber esse transtorno a partir dos 5 anos?
A gente só pode fazer o diagnóstico a partir dos 5 anos de idade porque as áreas do cérebro ligadas ao comportamento inibitório só se desenvolvem a partir dessa idade. Depois disso, a criança já sabe o que é errado e certo. Sabe que, se machucar alguém, esse alguém vai sentir dor. Ela já consegue se colocar no lugar do outro e já tem a capacidade de inibir seu comportamento se perceber que vai fazer mal a alguém. Depois do diagnóstico, temos que incentivar a família, para não reforçar esse comportamento agressivo e não ser modelo dele.

 Quais as características que identificam a criança com transtorno de conduta?
São crianças que têm comportamentos perversos, agressivos. São aquelas que, quando podem roubar um brinquedo de alguém, vão lá e roubam. Aquelas que batem ou mordem os amigos, mas que fazem de modo que ninguém veja. São crianças que manipulam os adultos. Normalmente, elas são muito sedutoras, conseguem transformar a situação a seu favor. São extremamente inteligentes.

 Essa criança vai levar essas características para a vida adulta?
 70% a 90% dessas crianças desenvolvem uma personalidade antissocial.

 Temos como prevenir isso?
Quanto mais precoce for a identificação do transtorno, melhor. É importante perceber que seu filho está muito agressivo, não demonstra grandes arrependimentos. E aí procurar ajuda. Não há medicação nenhuma que mostre resultado nesses casos. São quadros que precisam de uma reestruturação familiar. A idéia não é ensinar e educar seu filho, mas mudar a dinâmica da família. Comportamentos positivos trazem benefícios muito maiores do que comportamentos negativos.

 Então o papel dos pais é importante no surgimento desses casos?
Não vou falar que eles são causadores, porque está provado que é uma questão orgânica, uma alteração do funcionamento normal do cérebro. Como a criança não tem freio inibitório, acaba tendo comportamentos inadequados. Mas, se o jovem tiver uma família que é mais próxima, que o ajude a perceber que esses atos são danosos aos outros, que o faça notar que o outro se sente incomodado pelas suas atitudes, é possível mudar seu comportamento. Para que, no futuro, esses jovens não tenham que passar por uma intervenção médica ou até mesmo uma internação em uma instituição correcional, como as antigas FEBEM. Porque, provavelmente, muitos dos jovens que estão internados nestas instituições são jovens com transtorno de conduta que não tiveram a facilidade de um diagnóstico precoce e uma ajuda familiar.

 A internação nesse tipo de instituição pode ajudar a recuperar a criança?
Os estudos mostram que é muito importante ter a família junto, para reforçar positivamente cada memória que o jovem tenha. É importante ele estar num ambiente que seja estimulante à melhora do comportamento. Nessas instituições, pelo contrário, ele está convivendo com jovens que também são agressivos, também são violentos e não mostram nenhum tipo de arrependimento. Isso só vai reforçar aquela atitude.

 Por parte de família, que tipo de comportamento poderia aumentar a empatia da criança?
Não existe uma regra, uma receita de bolo. A família tem que prestar atenção se o filho tem pouca empatia, pouco arrependimento, rouba coisinhas da creche. Eles não devem ter preconceitos e procurar uma ajuda o mais rápido possível. Devem procurar um profissional, psiquiatra ou psicólogo especializado nisso, porque assim podem prevenir que no futuro ele venha a ter problemas graves, desde agressividade até abuso de drogas.


Fonte: revistagalileu.globo.com

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Recado aos Pais



Tenho observado, em minha prática, dois fatos preocupantes em relação aos pais de alunos em geral:
Ø  O primeiro diz respeito ao tema de casa, que as professoras costumam passar para os alunos, com o objetivo de reforçar conteúdos. O que tem ocorrido, com uma freqüência indesejável, é a constatação de que os deveres do aluno estão, na verdade, sendo feitos por um familiar. Ou não são feitos. Já me aconteceu de receber a visita de uma conhecida, solicitando minha ajuda para fazer o trabalho de escola de sua filha. A mãe, preocupadíssima, alegava que a menina estava com dificuldades na matéria e o trabalho ajudaria a melhorar suas notas. Perguntei-lhe a razão de a menina não fazer, ela própria, sua tarefa, ao que ela me respondeu: “ela preferiu ir brincar na casa de uma colega.” Não fiquei muito convencida de que esta mãe compreendeu minha negativa em auxiliá-la e as razões pelas quais ninguém deve fazer pela criança o que é de sua obrigação.
É a partir de atos como este que os pais outorgam a seus filhos o poder de domínio sobre eles. A idéia de que a criança não pode sofrer frustrações (uma reprovação seria caótica!) faz com que os pais busquem a solução que lhes parece mais fácil para o momento. Uma facilidade que, inevitavelmente, vai transformar-se no caos que buscam evitar. Acompanhar e orientar exigem tempo e disponibilidade do adulto. Mas, quando os pais não encontram  em si estas condições, duas situações emergem deste contexto: ou a criança vai para a escola sem as tarefas realizadas ou apresenta a tarefa realizada pelo familiar. Nenhuma destas situações vai resultar em efetiva aprendizagem e os resultados serão, mais cedo ou mais tarde, inevitáveis.

Ø  Meu segundo recado refere-se à participação dos pais em reuniões e entregas de boletins. Façamos um cálculo simples. Uma escola com 300 alunos tem 600 pais e mães. Na reunião de pais, convocada pela escola, se todos viessem faltaria lugar. Mas dos 600 pais aparecem (são dados estatísticos) menos de 60! O trimestre tem 90 dias, cada dia 24 horas, o que totaliza 2160 horas trimestrais. A escola pede aos pais apenas uma, no máximo 2 horas, para que discutam os problemas de seus filhos a cada 90 dias. E ainda sobram 2158 horas para os pais se ocuparem de outras coisas. Mas, é justamente nestas 2 horas que compromissos inadiáveis afastam os responsáveis pela criança de sua participação na vida escolar de seus filhos. O que a escola precisa pedir aos pais é que repensem suas prioridades, reavaliem sua atitude. Um dos fatores que influencia muito diretamente nos resultados de aprendizagem das crianças é justamente a percepção que elas tem da importância que o adulto confere ao que elas realizam, seja através do elogio, do diálogo ou da presença dos pais em sua escola.
O mundo mudou muito, e as crianças também. Só uma coisa não mudou: elas continuam a necessitar da presença cuidadora, reguladora, protetora, dedicada e atenciosa dos adultos. E estes adultos elas encontram tanto em casa quanto na escola, e só esperam que façamos nossa parte. De preferência, em harmoniosa parceria.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Deficientes Auditivos Oralizados e a Escola



Até entrar em contato com o caso de Fábio, que ingressou na escola em que atuo na classe de Educação Infantil, eu não sabia exatamente o significado de Deficiência Auditiva Oralizada. O primeiro passo (em minha opinião, o mais difícil) foi trabalhar com os pais do menino a necessidade de um encaminhamento médico, para podermos definir as ações a serem desenvolvidas para o caso. As questões emocionais de todos os envolvidos necessitam de um tempo de escuta, entendimento e aceitação, para que os pais possam estabelecer novos padrões de relacionamento com suas próprias limitações e com as de seu filho. Conversamos com a família, em um primeiro momento, relatando as observações feitas acerca do comportamento característico que Fábio apresentava: não respondia quando chamado pela professora; ora mantinha-se em silêncio e ora agitava-se, perturbando as atividades dos colegas e, quando conversava, fazia-o em um tom de voz muito elevado. Levamos algum tempo para vencer a barreira da tristeza e do constrangimento dos pais, mas, após estabelecermos um vínculo afetivo, que envolvia confiança e o desejo de estabelecermos condições para seu pleno desenvolvimento, Fábio foi levado ao especialista, tendo, assim, diagnosticada sua deficiência auditiva e a necessidade do uso de aparelho.
 Esta fase de descoberta do problema, entrevistas com a família e encaminhamento médico levou aproximadamente 2 anos. Fábio já havia concluído o 1º ano, sem alfabetizar-se e estava em adaptação ao uso do aparelho auditivo. Para auxiliá-lo nesta adaptação foi possível encaminhá-lo para atendimento fonoaudiológico, junto à Secretaria da Saúde do município, o que contribuiu de maneira significativa para um desenvolvimento mais harmonioso da criança em suas atividades escolares e em sua vida emocional.
Neste ano, Fábio está concluindo o 2º ano alfabetizado, com um bom desempenho na leitura e na escrita e totalmente integrado ao grupo. Para isto, foi determinante o acompanhamento de sua professora, uma profissional com larga experiência em educação de crianças portadoras de deficiência auditiva e tradutora de LIBRAS. Foi com esta profissional ímpar, a professora Juliana, que aprendi os principais fundamentos  da Deficiência Auditiva Oralizada, que se aplica ao caso de Fábio. Compartilho, a seguir, alguns dos conhecimentos que adquiri com ela.
Todos os surdos oralizados têm plena capacidade de proceder a leitura labial, o que lhes traz, na maioria dos casos, uma faixa de 90% de compreensão da linguagem falada. As maiores dificuldades que os alunos surdos enfrentam são as seguintes:

- quando o professor fala de costas para os alunos, fica impossível aos portadores de deficiência auditiva que fazem uso da leitura labial acompanhar a aula;
- quando o professor se desloca em sala de aula, o aluno deficiente auditivo perde totalmente o fio condutor do assunto tratado. A alternância entre a leitura labial e o silêncio absoluto traz ao aluno a sensação de que a aula não tem o menor sentido e que os ensinamentos não se encaixam numa correta seqüência lógica;
- quando os professores fazem uso de microfones, deveriam se preocupar em que estes não escondessem os lábios. Para o aluno deficiente auditivo a amplificação do som não lhes ajuda em nada. Todos fazem uso de aparelhos auditivos altamente performantes. A amplificação do som só traz atordoamento e o entendimento da matéria, sem a leitura labial, se torna impossível;
- quando o professor permite que todos os alunos discutam em voz alta, ao mesmo tempo, todos esses sons chegam aos ouvidos do deficiente auditivo no mesmo momento. Como as próteses auditivas são bastante performantes, esses sons se misturam num desarmonioso caos, chegando a confundir o deficiente ou podendo até mesmo, dependendo de como se encontra o ambiente, provocar problemas de dores de cabeça;
- quando informações como datas, horários, provas e testes são simplesmente faladas pelo professor, muitos deficientes auditivos perdem a informação completa;
- quando as aulas são ministradas sem o cuidado de haver isolamento acústico, os deficientes auditivos são extremamente prejudicados. Barulhos como ruídos de ventiladores e ar condicionados sem a devida manutenção, máquinas colocadas na proximidade das salas de aula, pessoas falando em voz alta no corredor, e qualquer outro som não inerente ao que se está tratando em sala de aula, prejudicam a concentração do deficiente auditivo e dificultam o entendimento da matéria exposta.

Para alguns, talvez, estes itens podem representar muito pouco diante da importância do tema. Mas, quando aplicados na prática fazem uma enorme diferença na vida destas crianças. Meu eterno agradecimento à professora Juliana por tudo que me ensinou.

Conhecer Fábio, trabalhar com ele e com sua família trouxe à minha vida profissional uma das mais belas experiências já vividas. Como ser humano basta-me o sorriso, o abraço e a única palavra que me disse em nosso último encontro: “Amo.” Precisa mais?

sábado, 19 de novembro de 2011

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA



Há oito anos o ex-presidente Lula sancionou a lei 10.639/03, tornando obrigatório em todos os estabelecimentos de educação pública e privada o ensino da história e cultura da África e do negro brasileiro no seu currículo pedagógico. A educação escolar tornou-se uma função de grande relevância para melhorar a situação social, econômica dos indivíduos, especialmente, o acesso da comunidade negra. A comunidade escolar não pode mais aceitar que somente algumas culturas sejam contempladas nos currículos. É necessário abolir os privilégios, promover a valorização de cada indivíduo social, oferecer a oportunidade de apropriação de ferramentas básicas do conhecimento que permitem melhor leitura das questões sociais. A democracia só é possível se for viabilizado um projeto de uma sociedade em que todos os seus membros são valorizados e incorporados ao currículo escolar. São conteúdos que propõem abolir a discriminação racial, imprescindíveis para a superação da hierarquia cultural.
Foi escolhida a data de 20 de novembro, pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo.

A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira. Na cidade de Portão (RS), onde trabalho na rede municipal de ensino  na função de Orientadora Educacional, teremos, no próximo dia 26, uma celebração pelo Dia da Consciência Negra. Existe, no município, uma comunidade remanescente de Quilombo, no Morro do Macaco Branco, onde está localizada a E.M.E.F. Gonçalves dias, que mantém viva a cultura da comunidade através de um trabalho que inclui, além dos aspectos pedagógicos, a arte da dança afro. Na programação do dia 26 está inclusa a apresentação do Grupo de Danças Afro da escola, que é sempre um momento de encanto e beleza para todos os que assistem.
A data também nos remete à figura marcante de Nelson Mandela e sua luta pelos direitos de todos os Homens à liberdade, igualdade e respeito à vida. E é com uma de suas declarações diante de um tribunal, que encerro este post.
Sawabona, Nelson "Madiba" Mandela!
“Eu tenho lutado contra a dominação branca. Eu tenho lutado contra a dominação negra. Eu tenho sonhado com o ideal de uma sociedade livre e democrática, onde todos possam viver juntos, em harmoniosa convivência e igualdade de oportunidade. É um ideal que eu espero viver, ver e alcançar, mas, se for necessário, é um ideal pelo qual também estou preparado para morrer.”

Um aluno muito especial e a Síndrome de Sanfilippo



Todo profissional necessita atualizar-se para estar em dia com o mundo do trabalho. Penso que, de modo especial, os profissionais de áreas humanas tem o compromisso de manter um olhar atento para a vida, como nós, educadores. Na minha área de atuação, Orientação Educacional, tenho encontrado grandes desafios, juntamente com minhas colegas professoras, no que se refere às crianças que nos chegam com diferentes necessidades especiais. É o caso de um menino que ingressou, no início deste ano, em uma das escolas em que atuo, portador da Síndrome de Sanfilippo. Esta síndrome era, para nós, totalmente desconhecida e, também o foi para as educadoras da APAE, para onde o encaminhamos, com o objetivo de um atendimento complementar e necessário ao caso. Assim, buscamos, todas nós, subsídios que nos permitissem atender esta criança tanto no espaço da escola, quanto na APAE.
Compartilho aqui, um pouco do que consegui encontrar sobre esta síndrome que, segundo estudos recentes, tem uma incidência de 1 a cada 70.000 nascimentos, ou seja, muito rara. O material que segue foi elaborado pela Equipe de Mucopolissacaridoses do SGM-HCPA (Serviço de Genética Médica-Hospital de Clínicas de Porto Alegre), adaptado (com autorização) do original em inglês produzido pela MPS Society (EUA).
A síndrome de Sanfilippo corresponde às mucopolissacaridoses. Esta denominação é uma homenagem ao Dr. Sylvester Sanfilippo, médico que relatou os primeiros casos da doença em 1963. As MPS III  caracterizam-se pela presença de atraso de desenvolvimento, envolvimento do sistema nervoso central (cérebro) e problemas físicos leves. Se o seu filho tem MPS III, é importante saber qual tipo de MPS III ele apresenta (A, B, C ou D). Até o momento, não existe cura para os indivíduos afetados por qualquer tipo de MPS III. Entretanto, existem maneiras de ajudá-los a ter uma melhor qualidade de vida. Os cientistas que estudam as MPS III continuam a procurar por maneiras melhores e mais efetivas para tratá-las.

A MPS III afeta as crianças de maneiras diferentes, e a sua progressão será mais rápida em uns do que em outros. Os bebês geralmente não mostram sinais da doença, mas os sintomas começam a aparecer entre os 2 e 6 anos de idade.As mudanças costumam ser graduais. A doença tende a ter três estágios principais, o primeiro deles caracterizando-se pela presença de atraso de desenvolvimento, o segundo pela presença de hiperatividade, distúrbios de comportamento e do sono, e o terceiro por regressão neurológica.

O crescimento pode estar acelerado nos primeiros anos de vida e, após os 3 anos, pode ser mais lento; a aparência também é normal nos primeiros anos de vida. As alterações de comportamento iniciam geralmente entre os 2 e 6 anos de vida, evoluindo com perda progressiva da capacidade mental. O cabelo tende a ser grosso e os pêlos no corpo podem ser mais abundantes que o normal; as sobrancelhas costumam ser escuras e cheias.

Principais ocorrências:

> O nariz escorrendo.
> As amígdalas e adenóides freqüentemente estão aumentadas e podem bloquear parcialmente a via aérea.
> Dificuldades para respirar.
> Tosses freqüentes e gripes são problemas comuns.
> Durante a noite, eles podem ficar agitados e acordar freqüentemente. Às vezes, pode parar de respirar por curtos períodos de tempo durante o sono: é o que chamamos de apnéia do sono. Com isso, o nível de oxigênio pode ficar baixo durante o sono, podendo causar problemas de coração. Se os pais observarem qualquer alteração no sono, a criança deve ser encaminhada a um especialista em sono e realizar uma polissonografia, isto é, um estudo do sono.
> Podem ter o tamanho da língua aumentado, as gengivas largas e os dentes muito espaçados, pequenos e com esmalte frágil. É importante que os dentes sejam muito bem cuidados, já que a cárie dentária pode ser uma causa de dor. Mesmo com um ótimo cuidado dentário, um abcesso ao redor do dente pode se desenvolver. Irritabilidade, choro e agitação podem ser, às vezes, sinais de um dente infectado em um indivíduo gravemente afetado.
> A doença cardíaca é comum, mas problemas cardíacos sérios raramente ocorrem. Medicamentos estão disponíveis para ajudar a manejar tais problemas. Se a doença piorar, entretanto, uma cirurgia pode ser necessária para substituir as válvulas danificadas.
> O fígado e o baço aumentados pressionam os pulmões e o coração. A mucosa espessada do nariz e da garganta, e o crescimento anormal dos ossos, podem dificultar a passagem de ar aos pulmões. Tudo isso aumenta as chances de desenvolvimento de infecções como otite e sinusite.
> Sofrem, periodicamente, de “fezes soltas” e diarréia. Ainda não se conhecem exatamente as causas deste problema, mas algum distúrbio do sistema nervoso autonômico deve estar envolvido. A diarréia episódica de alguns indivíduos com MPS parece ser influenciada pela dieta; por isso, eliminar alguns alimentos da dieta pode ajudar. Cabe aconselhar os pais a buscarem orientação do médico e de um nutricionista para qualquer alteração a ser feita na alimentação.
> A rigidez das articulações é comum e a amplitude máxima de movimento de todas as juntas pode estar limitada. Tendem a ter poucos problemas com articulações, mas elas podem causar dor à medida que os pacientes se tornam mais velhos.
> As crianças com MPS III têm dedos que ocasionalmente se tornam dobrados devido às contraturas, o que pode dificultar a execução de várias tarefas diárias. Mãos com restrições e deformidades articulares.
>Muitos indivíduos com MPS III ficam em pé e caminham com o joelho e quadril flexionados. Isto, combinado com um tendão de Aquiles encurtado, pode levá-los a andar nas pontas dos pés. Eles também podem ter joelhos para dentro.. Os pés são largos e podem ser rígidos, com os dedos dobrados para baixo, assim como o das mãos.
> A surdez é comum em todos os tipos de MPS III. A surdez pode ser condutiva, sensorial ou mista, e pode piorar com infecções de ouvido freqüentes. É importante que os indivíduos com MPS tenham a sua audição monitorizada regularmente, a fim de que os eventuais problemas possam ser tratados precocemente.

Os cuidados com nosso aluno são constantes e contamos com o apoio de toda equipe e funcionários para atendê-lo em diferentes momentos, como a troca de fraldas, que ele faz uso devido a ocorrência freqüente do descontrole intestinal. Quanto aos aspectos de socialização, observamos um claro desenvolvimento em suas habilidades de comunicação e participação nas atividades grupais. Também observamos uma disposição aberta dos colegas em auxiliá-lo, sempre que necessário. A participação da família é fundamental para o desenvolvimento de nosso trabalho. É através deste vínculo que podemos trocar informações e avaliar o desenvolvimento desta criança tão especial para nós.