terça-feira, 18 de outubro de 2011

APENAS BRINCANDO

 



Quando estou construindo com blocos no quarto de brinquedos,
Por favor, não diga que estou apenas brincando.
Porque enquanto brinco, estou aprendendo
Sobre equilíbrio e formas.
Quando estou me fantasiando,
Arrumando a mesa e cuidando das bonecas,
Por favor, não fique com a idéia que estou apenas brincando.
Porque enquanto brinco, estou aprendendo.
Eu posso ser mãe ou pai algum dia.
Quando estou pintado até os cotovelos,
Ou de pé diante do cavalete ou modelando argila,
Por favor, não me deixe ouvir você dizer: ele está apenas brincando.
Porque enquanto brinco, estou aprendendo.
Estou me expressando e criando.
Eu posso ser um artista ou um inventor algum dia.
Quando você me vê sentado numa cadeira
Lendo para uma platéia imaginária,
Por favor, não ria e pense que eu estou apenas brincando
Porque enquanto brinco, estou aprendendo.
Eu posso ser um professor algum dia.
Quando você me vê procurando insetos nos arbustos,
Ou enchendo meus bolsos com todas as coisas que encontro,
Não jogue fora como se eu estivesse apenas brincando
Porque enquanto brinco, estou aprendendo.
Eu posso ser um cientista algum dia
Quando estou entretido com um quebra-cabeça,
Ou com algum brinquedo na minha escola,
Por favor, não sinta que é um tempo perdido com brincadeiras
Porque enquanto brinco, estou aprendendo
Estou aprendendo a me concentrar e resolver problemas.
Eu posso estar numa empresa algum dia.
Quando você me vê cozinhando ou experimentando alimentos,
Por favor, não pense que porque me divirto, é apenas uma brincadeira.
Eu estou aprendendo a seguir instruções e perceber diferenças.
Eu posso ser um “chef” algum dia.
Quando você me vê aprendendo a pular, saltar,
Correr e movimentar meu corpo,
Por favor, não diga que estou apenas brincando
Eu estou aprendendo como meu corpo funciona.
Eu posso ser um médico, enfermeiro ou um atleta algum dia.
Quando você me pergunta o que eu fiz na escola hoje,
E eu digo, eu brinquei,
Por favor, não me entenda mal.
Porque enquanto eu brinco estou aprendendo.
Estou aprendendo a ter prazer e ser bem sucedido no trabalho.
Eu estou me preparando para amanha.
Hoje, eu sou uma criança e meu trabalho é brincar.
(Anita Wadley)



domingo, 16 de outubro de 2011

PIQUENIQUE-SE!


Mais uma idéia fantática do Instituto Akatu: um convite a todos os brasileiros, neste domingo,  a preparar sua cesta, procurar um parque, esticar a toalha e relaxar! Sem esquecer de nossa responsabilidade com o meio ambiente. Para nos auxiliar nesta tarefa, o site do Instituto Akatu disponibiliza um guia que auxilia na escolha e preparação dos alimentos, na forma de ir ao parque e no descarte do lixo. A escolha da ação está ligada ao Dia do Consumo Consciente, celebrado ontem, 15 de outubro.
Para mim, a proposta, além do contexto educativo, tem um adicional no resgate de uma prática quase esquecida e abandonada: o piquenique! É uma excelente idéia que, como educadores, podemos agregar às  programações anuais das escolas. Visite o site, compartilhe a proposta e...PIQUENIQUE-SE!

Site do Instituto Akatu; http://www.akatu.org.br/
  

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dia do Professor


À todos os Mestres, com carinho.



O que é ensinar?... Quem é um professor?
(Humberto Maturana
)


- Alguma outra pergunta?
- Sim, Professor: Que é um professor? Ou, quem é um professor?
- Humm (pausa)
- (Risos)
- (Escreve ao quadro negro:)
- Professor, Mestre. E, portanto, está aqui: ensinar. Creio que aqui aparece este conceito. O que é ensinar? Eu lhes ensinei a Biologia do Conhecer? Sim, se alguém abre a porta desta sala... (desloca-se até a porta, simula ouvir alguém que bate à porta, e então se desculpa, e diz a outro alguém:) ... "Nesta sala está o Professor Humberto Maturana ensinando Biologia do Conhecer" (desloca-se de volta): Eu lhes ensinei a Biologia do Conhecer? Em um sentido, com relação à responsabilidade perante a Faculdade, eu lhes ensinei a Biologia do Conhecer.
- (Risos) - Mas o que fizemos nós ao longo deste semestre?
- Desencadear mudanças estruturais.
- Desencadear mudanças estruturais, desencadear perturbações. E como fizemos isso?
- Em coordenações de coordenações de ações.
- Em coordenações de coordenações de ações. Ou seja: vivendo juntos. Claro, uma vez por semana viver juntos uma hora, uma hora e meia, duas horas, ou, alguns estudantes, que permaneceram comigo mais horas ... Isso era viver juntos. Vocês podem dizer: "Sim, mas eu estava sentado escutando". Isso se estavam verdadeiramente escutando, como espero.
- (Risos) - Estavam sendo tocados, alegrados, entristecidos, enraivecidos ... Quer dizer, se passaram todas as coisas do viver cotidiano. Mexeram com as idéias, rejeitaram algumas. Sairam daqui conversando isto e mais aquilo ... "Estou fazendo um trabalho ..." Estavam imersos na pergunta: "Como prosseguir? ", de acordo com o que lhes ia passando, vivendo juntos, comigo, em um espaço que se ia criando comigo.
" Então, qual foi a minha tarefa? Criar um espaço de convivência.. Isto é ensinar .Bem, eu ensinei a vocês. E vocês, ensinaram a mim?
- Sim
- Claro que sim! Ensinamo-nos mutuamente. "Ah, mas acontece que eu tinha a responsabilidade do curso, e ia guiando o que acontecia". De certa forma, sim, de certa forma, não. De certa forma, sim, porque há certas coisas que eu entendo da responsabilidade e do espaço no qual me movo nesta convivência, e tinha uma certa orientação, um fio condutor, um certo propósito. Mas vocês, com suas perguntas, foram empurrando esta coisa para lá, e para cá, e foram criando algo que foi se configurando como nosso espaço de convivência.
E o maravilhoso de tudo isso é que vocês aceitaram que eu me aplicasse em criar um espaço de convivência com vocês. Vocês se dão conta do significado disso? Foi exatamente igual ao que ocorreu quando vocês chegaram, como crianças, ao jardim de infância, e estavam tristes, emburrados, a Mamãe se foi, estão chorando, "AaaaH, eu quero minha mãe", e chega a professora, e oferece a mão, e vocês a recusam, mas ela insiste, e, então, vocês pegam sua mão. E o que se passa quando a criança pega na mão da professora? Aceita um espaço de convivência. Com vocês se passou a mesma coisa. Em algum momento, aceitaram minha mão. E, no momento em que aceitaram minha mão, passamos a ser co-ensinantes. Passamos a participar juntos neste espaço de convivência. E nos transformamos em congruência... De maneiras diferentes, porque, claro, temos vidas diferentes, temos diferentes espaços de perguntas, temos experiências distintas. Mas nos transformamos juntos, e agora podemos ter conversas que antes não podiamos.
E quem é o professor? Alguém que se aceita como guia na criação deste espaço de convivência. No momento em que eu digo a vocês: "Perguntem", e aceito que me guiem com suas perguntas, eu estou aceitando vocês como professores, no sentido de que vocês me estão mostrando espaços de reflexão onde eu devo ir. Assim, o professor, ou professora, é uma pessoa que deseja esta responsabilidade de criar um espaço de convivência, este domínio de aceitação recíproca que se configura no momento em que surge o professor em relação com seus alunos, e se produz uma dinâmica na qual vão mudando juntos.

(*) Traduzido do trecho final da aula de encerramento de Humberto Maturana no curso Biologia del Conocer, ( Facultad de Ciencias, Universidad de Chile), em 27/07/90. Gravado por Cristina Magro, transcrito por Nelson Vaz.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sobre a Sociedade Brasileira de Pediatria e seu relevante trabalho


É preciso destacar o trabalho realizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Uma visita ao site permite a constatação de um trabalho que vai além dos consultórios e se compromete com questões sociais relacionadas a crianças e adolescentes. Neste momento, por exemplo, está sendo lançada, em Salvador, durante o Congresso Brasileiro de Pediatria, a campanha "Violência é Covardia", que busca conscientizar pediatras e famílias sobre a violência infantil. O tema foi escolhido para o filme de divulgação da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes e Violência na Infância e Adolescência, por sua grande repercussão na potencialização da violência social como um todo. A coordenadora executiva da campanha, Drª Rachel Niskier, salienta que, "independente da classe social ou condição econômica, há uma grande probabilidade de que crianças e adolescentes que cometem delitos tenham sofrido algum tipo de violência doméstica, como a negligência, os maus-tratos físicos e psicológicos  ou o abuso sexual. A mesma correlação pode ser feita para aqueles que vão para as ruas, fugindo da violência cometida por seus familiares ou responsáveis, e pensando em encontrar fora o apoio e o afeto que não tem no ambiente de casa."
O site também disponibiliza alguns dados que reforçam a necessidade da realização de campanhas  com esta digna finalidade:

Dados da Assessoria de Prevenção de Acidentes e Violência da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro:

Período: agosto/99 a setembro/01 – Total de fichas*: 1427

Por tipo de maus-tratos:

a. Negligência – 1292 / 53,2%
b. Agressão Física – 877 / 36,1%
c. Abuso Psicológico – 580 / 23,9%
d. Abuso sexual – 487 / 20,1%

(* São as fichas de Notificação Compulsória de Maus-Tratos contra crianças e adolescentes.)

 Dados do Sistema Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-Juvenil, que recebe denúncias pelo telefone (ligação gratuita) 0800- 99 0500:

- Janeiro a Dezembro de 2001: 749 casos no Brasil e 149 no Rio de Janeiro (São denúncias de abuso e exploração sexual. Inclui as  que as pessoas vêem na Internet).
 Enquanto educadores, cabe-nos apoiar e unir esforços em torno de uma problemática com a qual convivemos em nossa realidade escolar.
Site da Sociedade Brasileira de Pediatria: http://www.sbp.com.br/

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O direito de ser criança.



Quando lembro da minha infância, minha criança interior sorri. Quantas brincadeiras e inocência povoaram os meus dias! E não vejo nenhum problema em ter vivido algumas décadas e ainda sentir a minha criança viva e presente. Porém, quando olho para nossas crianças hoje, me penalizo por ver que esta fase tão especial na vida, está ficando cada dia mais distante de suas existências.
Em 2003 ( lá se vão 9 anos...), li um texto de Helena Alves Costa, escritora e criadora do site www.fotopoesia.com ,  sobre o tema, e relendo-o hoje, percebo que não houve mudanças no quadro das vivências infantis, desde então. E, se olharmos bem, talvez cheguemos a conclusão que o tempo só fez agravar algumas situações. Analisemos o que a escritora escreveu:
 
"Você, com certeza, concorda que, toda criança deveria ter uma infância relativamente despreocupada e inocente. No entanto, é uma triste realidade que, para muitos meninos e meninas, essa infância não existe.
Para a maioria de nós, é difícil imaginar como se sente uma criança que é obrigada a viver nas ruas porque se sente mais segura ali do que em casa. Justamente quando mais precisam de proteção, essas crianças precisam se defender daqueles que supostamente deveriam amá-las e protegê-las, e têm de aprender a se virar sozinhas, muitas vezes caindo vítimas de exploradores. Outras praticam crimes para sobreviver, e a idade com que se envolvem com o crime está cada vez menor. Algumas garotas estão se tornando mães em idades espantosamente precoces; de fato, trata-se de uma criança tendo que cuidar de outra criança. Nessas e em diversas circunstâncias, a infância é a primeira coisa que se perde.
Em alguns casos, entretanto, pais com as melhores intenções possíveis estão acelerando o desenvolvimento das crianças, visando transformá-las em pequenos gênios. Excessivamente preocupados com o seu sucesso, os pais sobrecarregam as crianças com atividades extra-escolares, de esportes a aulas de inglês, balé ou música.
Naturalmente, não é errado estimular os interesses ou os talentos de uma criança. Mas existe o perigo do excesso. Algumas crianças sofrem quase tanta pressão quanto os adultos estressados. E a infância acaba sendo substituída por currículos e certificados.
Alguns pais sonham que seus filhos tenham carreiras de sucesso nos esportes, na música ou na televisão. Para isso, submetem seus filhos pequenos a uma disciplina rígida e incontáveis horas de treinamento. Em alguns casos, o exercício forçado pode prejudicar o desenvolvimento físico normal da criança, danificar os ossos, retardar ou adiantar a puberdade. E o tempo que era para brincar, lá se vai, em busca do sucesso que provavelmente não virá, e caso venha, submeterá a criança a uma pressão psicológica que ela provavelmente não está preparada para suportar. São bem conhecidas as histórias de artistas que fizeram muito sucesso enquanto ainda crianças e hoje estão envolvidos com drogas ou apresentam um comportamento rebelde ou anti-social.
Um outro perigo é quando os pais estão ocupados demais com seu trabalho e tentam compensar a sua ausência cobrindo a criança de mimos, dando aos filhos tudo que é possível em sentido material e deixando eles fazerem o que bem entenderem. Embora pais assim pensem que estão trabalhando para garantir a felicidade dos filhos, é bem possível que estejam fazendo exatamente o contrário.
Também é bem comum que pais que se separam usem a criança como confidente, despejando sobre ela um turbilhão de emoções e frustrações e exigindo que ela assuma o papel do outro “adulto” na família, sobrecarregando-a emocionalmente.
Em todos esses casos, o que os pais podem fazer para evitar acelerar o desenvolvimento da criança?
É importante lembrar que crianças SÃO CRIANÇAS, e não tentar forçá-las a seguir o seu ritmo, ou assumir fardos e deveres de adulto. Se você perdeu o marido ou a esposa, resista à tentação de usar uma criança como confidente. Em vez disso, procure um amigo de confiança com quem possa desabafar e que possa dar-lhe bons conselhos.
Além disso, não permita que o tempo da criança se torne tão programado a ponto de excluir a naturalidade e o prazer da infância. As crianças têm necessidade especial de brincar, de rir, de extravasar sua energia de maneira um tanto descompromissada. Não permita que as crianças adotem a filosofia de que “o importante é vencer”. Tampouco ceda à tendência de realizar  todos os caprichos de seus filhos. Pensando bem, eles ainda não têm idade suficiente para tomar todas as decisões.
Enfim, é importante ter equilíbrio. Disciplina sim, mas não a ponto de cercear completamente suas expressões, sua curiosidade, sua criatividade. E lembre-se: infância é tempo de SER CRIANÇA."
Que o dia 12 de ourubro nos ajude a refletir sobre a infância que estamos proporcionando a nossas crianças.