sábado, 5 de novembro de 2011

O poema de uma vida

 

Deixo hoje a sugestão de um filme e um poema relacionados à vida de Nelson Mandela: “Invictus”.Uma lição de vida, corajosa e convicta de seus ideais. Excelente, também, para ser trabalhado com nossos jovens educandos.
Invictus
Autor: William Henley
Tradutor: André Masini
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por minha alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011



Para os apreciadores de boa música e, com o acréscimo de poder estar junto à natureza, minha dica para este fim de semana é uma ida ao Jardim Botânico, em Porto Alegre (Salvador França,1.427), no domingo,  e curtir os clássicos do cancioneiro regional gaúcho executados pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre com Renato Borghetti e Luiz Carlos Borges.
O concerto está marcado para às 11h30min, com entrada franca.

Quem desejar esticar o passeio, ir à Gramado sempre é uma boa pedida, especialmente a partir de amanhã, quando estará recebendo o 14° Intercâmbio Internacional de Miniarte, que apresenta obras vindas de vários países e de artistas gaúchos. O projeto é uma idealização da artista brasileira Clara Pechansky, com o objetivo de mostrar, em pequeno formato, um panorama da arte criada no mundo. A abertura da exposição ocorre neste sábado (05/11), às 11h, no Centro Municipal de Cultura, que fica ao lado do lago Joaquina Rita Bier. A mostra estará aberta à visitação pública de 2ª à 6ª, das 8h às 11h45min e das 13h30min às 17h45min.

E não podemos esquecer da Feira do Livro de Porto Alegre! Se ainda não foi, terá até o dia 15 para dar uma chegadinha lá na Praça da Alfândega e praticar o melhor exercício de todos: alongamento de cultura. Não saia sem levar algum dos instrumentos disponíveis nos stands para continuar sua prática em casa. Aproveite para almoçar na capital gaúcha, que tem ótimas opções para todos os paladares, porque o horário de funcionamento da Feira é só a partir das 12h30min.

É isso aí. Aproveitem o final de semana, que promete muito sol, para sair da rotina e expandir seu olhar para a vida que acontece lá fora. É altamente recomendável à saúde.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Declaração de Salamanca: marco histórico da Inclusão




O marco histórico da inclusão aconteceu em junho de 1994, com a Declaração de Salamanca ( Espanha), realizada pela UNESCO na Conferência Mundial Sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade , assinado por 92 países, que tem como princípio fundamental: "todos os alunos devem aprender juntos, sempre que possível, independente das dificuldades e diferenças que apresentem".
Muito mais do que uma idéia defendida com entusiasmo por profissionais de diversas áreas desde 1990 a construção de sociedades inclusivas, nos mais diferentes pontos do planeta, é meta do que se poderia chamar de movimento pelos "direitos humanos de todos os humanos". A ONU assinou a resolução 45/ 91, que solicita ao mundo "uma mudança no foco do programa das nações unidas sobre deficiência, passando da conscientização para a ação, com o compromisso de se concluir com êxito uma sociedade global para todos por volta de 2010.” Em 2011, esta meta ainda está em processo. Vale lembrar trechos da “Declaração de Salamanca” para uma reflexão em nossa prática.
“Educação inclusiva: Capacitar escolas comuns para atender todos os alunos, especialmente aqueles que têm necessidades especiais.
Princípio da inclusão: Reconhecimento da necessidade de se caminhar rumo à escola para todos - um lugar que inclua todos os alunos, celebre a diferença, apóie a aprendizagem e responda às necessidades individuais.
Toda pessoa tem o direito fundamental à educação e a ela deve ser dada a oportunidade de atingir e manter um nível aceitável de aprendizagem.
Todo aluno possui características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que são singulares. Os sistemas educacionais devem ser projetados e os programas educativos implementados de tal forma a considerar a ampla diversidade dessas características e necessidades.
As escolas devem acomodar todos os alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras. O desafio para uma escola inclusiva é o de desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, uma pedagogia capaz de educar com sucesso todos os alunos, incluindo aqueles com deficiências severas.
0 princípio fundamental da escola inclusiva consiste em que todas as pessoas devem aprender juntas, onde quer que isto seja possível, não importam quais dificuldades ou diferenças elas possam ter. Escolas inclusivas precisam reconhecer e responder às necessidades diversificadas de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando educação de qualidade para todos, mediante currículos apropriados, mudanças organizacionais, estratégias de ensino, uso de recursos e parcerias com suas comunidades.
Os currículos devem ser adaptados às necessidades dos alunos e não o inverso. As escolas devem, portanto, oferecer oportunidades curriculares que se adaptem a alunos com diferentes interesses e capacidades.
A fim de acompanhar o progresso de cada aluno, os procedimentos de avaliação devem ser revistos.
Aos alunos com necessidades educacionais especiais devem ser oferecidas diferentes formas de apoio, desde uma ajuda mínima em classes comuns até programas adicionais de apoio à aprendizagem na escola, bem como a assistência de professores especialistas e de equipe de apoio externo.”

Fonte: The Salarnanca Stateinent and Framework for Action on Special Needs Education. UNESCO, 7-10 junho 1994. 47 p
Tradução: Romeu Kazumi Sassaki.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Adaptações Curriculares


Iniciamos, em uma das escolas em que atuo, as adaptações curriculares, que vão atender alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, tendo como referência a elaboração do projeto pedagógico e a implementação de práticas inclusivas no sistema escolar. Desenvolvemos as primeiras ações com base nos seguintes aspectos: atitude favorável para diversificar e flexibilizar o processo de ensino- aprendizagem, de modo a atender às diferenças individuais dos alunos; identificação das necessidades educacionais especiais dos alunos regularmente matriculados, para justificar a priorização de recursos e meios favoráveis à sua educação; adoção de propostas curriculares diversificadas, em lugar de uma concepção uniforme e homogeneizadora de currículos.
Os critérios de adaptação curricular são indicadores do que os alunos devem aprender, de como e quando aprender, das distintas formas de organização do ensino e de avaliação da aprendizagem com ênfase na necessidade de previsão e provisão de recursos e apoio adequados. Consideramos Apoio, neste caso, os diversos recursos e estratégias que promovem o interesse e as capacidades das crianças. Com isto, objetivamos proporcionar a nossos alunos condições para o desenvolvimento da autonomia, produtividade e integração às rotinas escolares.
Tipos de adaptações Propostas:
Organizativas - englobam organização didática da aula (conteúdos e objetivos de interesse do aluno ou diversificados), disposição do mobiliário, de materiais didáticos e tempos flexíveis.
Objetivos e Conteúdos - definem prioridade de áreas e conteúdos de acordo com critérios de funcionalidade; ênfase nas capacidades, habilidades básicas de atenção, participação e adaptabilidade dos alunos; seqüência gradativa de conteúdos, do mais simples para o mais complexo; conteúdos básicos e essenciais em detrimento de conteúdos secundários e menos relevantes.
Avaliativas - consistem na seleção de técnicas e instrumentos de acordo com a identificação das necessidades educacionais especiais dos alunos.
Entendemos que a educação especial é concebida como modalidade de educação escolar complementar e necessária para que alunos com necessidades educacionais especiais alcancem os fins da educação geral. Este é o viés que permeia as proposições contidas no documento lançado pelo MEC para orientar a ação pedagógica dos educadores quanto às adaptações curriculares que visam a inserção, no sistema escolar, de alunos com deficiências física, sensorial, mental, altas habilidades, condutas atípicas e outras peculiaridades.
Nosso trabalho, enquanto equipe diretiva, nos compromete com o acompanhamento das propostas estabelecidas, objetivando o atendimento específico a cada perfil de aluno com necessidades especiais que fazem parte de nossa realidade escolar. Contamos com uma equipe de educadores  qualificados e experientes, comprometidos com a proposta inclusiva, o que nos permite vislumbrar, com tranqüilidade, o alcance dos objetivos propostos nas adaptações curriculares.
Em uma nova postagem, farei o relato dos resultados do trabalho desenvolvido  durante os meses de novembro e dezembro.
Aguardem!
Para lembrar da importância da Inclusão Escolar para todos os envolvidos, segue um gráfico das imensas possibilidades que nossas crianças dispõem e que aguardam ser desenvolvidas.





domingo, 30 de outubro de 2011

É preciso saber perder




Perder e ganhar são atitudes que se aprende. É muito bom ganhar, mas nem sempre isso é possível, pois a vida é feita de vitórias e derrotas. No entanto, algumas crianças apresentam um exagerado sentimento de desgosto e inconformismo quando expostas a resultados negativos, o que pode estar ligado a medos, inseguranças, estresse ou algum problema familiar.
 A escola se constitui em um espaço para a criança aprender a lidar com frustrações - seja por ter perdido um campeonato ou por não ter tirado a nota mais alta da sala -, porque ali ela está entre seus pares. É na fase escolar que acontecem importantes aprendizados para a vida adulta. Dentre eles está a aceitação e compreensão de nossas capacidades e limitações. A principal forma de se trabalhar essa questão na escola é conversando com a criança e dizendo a ela, de forma clara, que as frustrações fazem parte da vida de todos. Colocar limites desde cedo e criar uma rotina com obrigações simples também pode ajudar as crianças a aceitar melhor as negações quando elas ocorrerem.
Crianças que não sabem perder podem apresentar reações como: ficar calada e se isolar da turma; chorar; ficar brava e agressiva; ficar emburrada ou
 culpar o colega pelo seu fracasso. O comportamento da criança que se frustra com algo depende de sua personalidade.
Uma conversa, que deve acontecer no momento em que a frustração ocorrer, como forma de acolher a criança, pode ser a resposta para a angústia gerada.  Todas as atividades realizadas na escola são propícias para que o professor observe o comportamento dos alunos. Caso note que algum deles não se comporta bem quando perde (chora, abandona o jogo, age com agressividade etc.), conversar com ele, ajudando-o a entender que ninguém consegue ganhar sempre e que perder é natural, é sempre recomendado. Quando a criança perde um jogo ou tira uma nota baixa, ela tem que entender porque aquilo aconteceu e  não desistir diante de obstáculos.Veja a seguir, algumas dicas:
Ø  Diga que perder é chato, mas que isso não significa que ela vá perder sempre, e que ela pode pensar em uma estratégia para ganhar da próxima vez.
Ø  Explique que adultos também perdem, mas que, com o tempo, aprendem a lidar com isso.  Podemos, enquanto educadores, contar alguma situação real em que  perdemos ou que as coisas não saíram como imaginávamos.
Ø  Fale que ninguém é perfeito e que todos nós temos facilidades em algumas coisas e dificuldades em outras.
Ø  Ao jogar - um comportamento que atravessa séculos -, a criança descobre que ganhar e perder faz parte da vida e desenvolve estratégias para enfrentar várias situações e os adversários.
Ø  Jogos de tabuleiro revelam peculiaridades da cultura de um povo. Alguns tradicionais, como o Jogo da Glória, surgiram como forma de simbolizar a vida e a morte. Outros demonstravam em sua origem a importância das estratégias de guerra, como o xadrez, e as crenças de um povo, como o mancala.
Levando em conta essas características de comportamento e cultura, quando se transforma em espaço de jogo, a escola possibilita a construção de saberes. O desafio de uma partida proporciona a elaboração e a exploração de questões relacionadas à sociabilidade (que se dá por intermédio de regras) e ao desenvolvimento de estratégias. Detalhes que chamam a atenção para a possibilidade de trabalhar com tabuleiros sem a obrigatoriedade de vincular a atividade às áreas do conhecimento.
Ø   Estimular as crianças a ajudarem umas as outras. Por exemplo, a que tem mais facilidade em Português ajuda a que tem dificuldade nessa disciplina. Por sua vez, essa ajuda algum colega que tenha dificuldade em algo que ela tenha facilidade, e assim por diante.
 O mais importante é que as crianças percebam que todos nós temos facilidades e dificuldades, e que podemos ensinar nossos colegas e também aprender com eles, porque ninguém é bom em tudo e, muito menos, perfeito. E, o que não elaboramos na infância, pode tornar-se motivo de dificuldades maiores a serem enfrentadas na idade adulta.