quarta-feira, 14 de março de 2012

ADAPTAÇÕES CURRICULARES



As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e tem como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Essas adaptações  visam promover o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, tendo como referência a elaboração do projeto pedagógico e a implementação de práticas inclusivas no sistema escolar e essas adaptações pressupõem que se realize quando necessário, para torná-lo apropriado às peculiaridades dos alunos com necessidades especiais. Nessas circunstâncias, as adaptações curriculares implicam a planificação pedagógica e a ações docentes fundamentadas em critérios que definem:
·        Como e quando aprender;
·        que o aluno deve aprender;
·        que formas de organização do ensino são mais eficientes para o processo de aprendizagem;
·        como e quando avaliar o aluno.
   As adaptações relativas aos objetivos e conteúdos dizem respeito:
 ·        Priorização de áreas ou unidades de conteúdos que garantam funcionalidade e que sejam essenciais e instrumentais para as aprendizagens posteriores. Ex. habilidades de leitura e escrita, cálculos etc.
·        Priorização de objetivos que enfatizam as capacidades e habilidades básicas de atenção, participação e adaptabilidade do aluno. Ex. desenvolvimento de habilidades sociais, de trabalho em equipe, de persistência na tarefa etc.
·        À sequenciação pormenorizada de conteúdos que requeiram processos gradativos de menor à maior complexidade da tarefas, atendendo à seqüência de passos, à ordenação da aprendizagem etc.
·        Ao reforço da aprendizagem e à retomada de determinados conteúdos para garantir o seu domínio e a sua consolidação;
.         À eliminação de conteúdos menos relevantes, secundários para dar enfoque mais intensivo e essencial  no currículo.
  As adaptações avaliativas dizem respeito:
 ·        À seleção de técnicas e instrumentos utilizados para avaliar o aluno, modificando-os de modo a considerar, na consecução, a capacidade do aluno em relação ao proposto para os demais colegas;
·        Não abandonar os objetivos definidos para o grupo, mas acrescentar aqueles objetivos complementares curriculares especificos que minimizam as dificuldades concernentes à deficiência do aluno.
  As adaptações nos procedimentos didáticos e nas atividades de ensino-aprendizagem referem-se ao como ensinar os componentes curriculares. Dizem respeito a:
 ·        Situar os alunos nos grupos com os quais possa trabalhar melhor;
·        Propiciar o apoio físico, visual, verbal e gestual ao aluno impedido, temporária ou permanentemente, de modo a facilitar as atividades escolares e o processo avaliativo. O apoio pode ser oferecido pelo professor regente, pelo professor de sala de recursos, pelo professor itinerante ou pelos próprios colegas.
  Algumas características curriculares facilitam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, dentre elas:
 ·        Atinjam o mesmo grau de abstração ou de conhecimento, num tempo determinado;
·        Desenvolvidas pelos demais colegas, embora não o façam com a mesma intensidade, nem necessariamente de igual modo ou com a mesma ação e grau de abstração.
  As adaptações curriculares não devem ser entendidas como exclusivamente individuais ou uma decisão que envolve apenas o professor e o aluno, pois realizam-se em três níveis:
 ·        No âmbito do projeto pedagógico (currículo escolar);
·        No currículo desenvolvido na sala de aula;
·        No nível individual.
 Para que os alunos com necessidades educacionais especiais possam participar integralmente em um ambiente rico de oportunidades educacionais com resultados favoráveis, alguns aspectos precisam ser considerados, destacando-se entre eles:
 ·        A preparação e dedicação da equipe educacional e dos professores;
·        O apoio adequado e recursos especializados, quando forem necessários;
·        As adaptações curriculares e de acesso ao currículo.

Magalis Bésser Dorneles Schneider

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um olhar para nossa prática

Hoje deixo, como sugestão, um texto de Rubem Alves para ser trabalhado em uma reunião pedagógica. É sempre bom lembrar que ensinar, além de ministrar conteúdos, é um ato que comporta, antes de tudo, amorosidade.




O aluno perfeito
Rubem Alves
Ele se chamava Memorioso, pois seus pais julgavam que a memória perfeita é essencial para uma boa educação. 

Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer.

Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas.

O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular.

E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação.
Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo cultural.
A memória de Memorioso era igual à do personagem do Jorge Luis Borges de nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus pais.
E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: "por que você não é como o Memorioso?"
Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele freqüentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens.

Na universidade, foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT.

Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: "Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?" "Pode fazer", disse Memorioso confiante. Sua memória continha todas as respostas.

Aí ela falou: "De tudo o que você memorizou qual foi aquilo que você mais amou? Que mais prazer lhe deu?"

Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu.

E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Deixou de responder a estímulos.

Depois apagou, entrou em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente danificado.

Há perguntas para as quais a memória não tem respostas . É que tais respostas não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a emoção...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Retornando




Férias chegando ao seu final, ainda em clima de um calor escaldante.  E os preparativos para receber professores e alunos nos mobilizam e animam. Então, vamos começar o ano com ótimas vibrações, dando boas-vindas a todos através da leveza e comprometimento da dança...
 “DANÇAR É COMO CRESCER.
UM PROCESSO LENTO, CHEIO DE SURPRESAS E LUTAS.
A REALIZAÇÃO DE FEITOS QUE PARECEM IMPOSSÍVEIS DE SE CONCRETIZAR;
ACROBACIAS QUE EXIGEM MUITO MAIS QUE HORAS DE TRABALHO
QUE SÓ OUSADIA TEM CAPACIDADE DE EXPLICAR.
UM CONSTANTE APRENDIZADO PARA O QUAL NEM SEMPRE É NECESSÁRIO NOS PREPARAR.
É PRECISO TER TALENTO.
SABER MISTURAR, EM DOSES CERTAS, FORÇA E SENSIBILIDADE.
CONHECER LIMITES E CAPACIDADES.
SEM TEMER O FRACASSO.
AMAR.
AMAR-SE.
SEM MEDOS.
CORPO E MENTE EM PERFEITA HARMONIA.
ESSA INTEGRAÇÃO, O SEGREDO DA ETERNA LIBERDADE, QUE NOS PERMITE ALCANÇAR VÔOS MUITO, MAIS MUITO MAIORES.
ISTO É DANÇAR!”
(desconheço o autor)
Esta é minha sugestão para a primeira reunião da equipe escolar. Comecemos o ano ensaiando os primeiros passos de um ritmo qualquer (valsa, samba, rock...). À medida que formos evoluindo em nosso aprendizado, que possamos incluir outros em nossa dança, até formarmos um corpo só, em perfeita harmonia. Como diz Martha Medeiros:
“Qualquer um pode dançar sozinho. Aliás, deve. Meia hora por dia, quando ninguém estiver olhando, ocupe a sala, aumente o som e esqueça os vizinhos. Mas dançar com outra pessoa, formar um par, é um ritual que exige uma espécie diferente de sintonia. Olhos nos olhos, acerto de ritmo. Hora de confiar no que o parceiro está propondo, confiar que será possível acompanhá-lo, confiar que não se está sendo ridículo nem submisso, está-se apenas criando uma forma diferente e mágica de convivência.”
Um retorno repleto de novas aprendizagens à todos.


domingo, 8 de janeiro de 2012

domingo, 25 de dezembro de 2011

Professora Viviane Fulber

Este artigo é de uma querida amiga e uma profissional a quem muito admiro por seu trabalho e dedicação na tarefa de alfabetizar nossas crianças da E.M.E.F. Santo Antônio, em Portão(RS). À ti, Viviane Fulber, meu carinho e o desejo de muita paz, felicidade e sucesso em 2012.



Letramento e Alfabetização: pensando a prática pedagógica

            Desde muito cedo a criança interage com a linguagem oral no meio em que vive, com os pais e outros adultos que a cercam.
            Através da oralidade as crianças entram em contato com diversas situações presentes na sociedade e no meio em que vivem.
            Na escola as crianças passam a enfrentar situações mais formais e que não são comuns em seu dia-a-dia, seja no grupo familiar ou na comunidade.
            Com relação à escrita acontece a mesma coisa.
            Diariamente a criança é exposta à propagandas, placas, outdoors, rótulos de embalagens, escutam histórias, etc. e assim as crianças constroem-se como sujeitos letrados.
            Sabemos que as crianças que entram em contato com estas experiências se motivam e começam a refletir sobre estas interações e diferentes características, usos e funções sociais da leitura e da escrita.
            À escola cabe problematizar, refletir, possibilitar vivências e práticas reais de leitura e produção de textos diversificados e que reduzam as diferenças sociais assegurando a todos os estudantes o acesso a estas vivências.
            Para desenvolver a autonomia na escrita e leitura é necessário que desde a educação infantil a escola se preocupe com o desenvolvimento de atividades que estimulem conhecimentos relativos à aprendizagem da escrita alfabética, assim como de conhecimentos ligados ao uso e a produção da linguagem escrita.
            É necessário o estímulo e o gosto pela leitura.
            Distinguindo alfabetização e letramento, alfabetização é o processo pelo qual a criança adquire as habilidades necessárias para a leitura.
            Letramento é o processo que vai além do uso mecânico da leitura, é a leitura de mundo, a compreensão dos usos e a competência para compreender e interpretar o que se lê.
            Neste contexto o ideal é que se alfabetize letrando. São duas ações distintas, mas não inseparáveis.
            Ao pensarmos sobre os usos da leitura e da escrita no dia-a-dia nos deparamos com situações reais que não podem ser descartadas na nossa prática. Precisamos garantir que todos se apropriem das diferentes finalidades da leitura e da escrita já no inicio do processo de alfabetização.
            Como defendido por Leal e Albuquerque (2005) a escola precisa contemplar:
·         Situações de interação mediadas pela escrita em que se busca causar algum efeito sobre interlocutores em diferentes esferas de participação: meios de circulação, interlocução, comunicação direta, diferentes tipos de textos,...
·         Situações voltadas para a construção e sistematização do conhecimento voltados para o auxílio, organização de resumos, esquemas, anotações, informações, memorizações,...
·         Situações voltadas para a autoavaliação e expressão para si próprio de sentimentos, desejos, angústias, auxílio pessoal e resgate da identidade.
·         Situações em que escrita é utilizada como automonitoração de suas próprias ações e organização do dia-a-dia como agendas, calendários, cronogramas,...

Tais atividades podem ser desenvolvidas desde a educação infantil, pois mesmo não sabendo ler podem-se realizar questionamentos partindo dos adultos e que levem a reflexão sobre o que se lê, para que e para quem se pode ler.

Autora: Viviane Fulber - Pedagoga